O Exame Nacional do Ensino Médio de 2026 definiu como tema de sua redação a frase "A valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal". Diante da novidade, o educador e autor Thiago Braga, vinculado ao Colégio e Sistema pH, desenvolveu um texto dissertativo a pedido do portal g1, fundamentando-se exclusivamente na diretriz temática anunciada, visto que os textos de apoio oficiais não haviam sido disponibilizados até aquele momento.
Em sua proposta redacional, o autor resgata o contexto histórico que fundamentou a criação da rede pública de atendimento. O documento relembra que a 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986 na capital federal, reuniu milhares de cidadãos e firmou o entendimento de que o cuidado médico configura direito de todos e dever do Estado. Posteriormente, esse princípio foi integrado ao artigo 196 da Constituição Federal de 1988, dando origem ao modelo que se consolidou como um dos maiores sistemas públicos e gratuitos do planeta.
No entanto, a análise aponta que, após quase quarenta anos, a rede pública é mais utilizada do que propriamente reconhecida. Grande parte da população a enxerga de forma restrita, como um serviço voltado exclusivamente a quem não possui recursos financeiros, distanciando-se do conceito de direito universal. Esse cenário desfavorável decorre tanto da falta de visibilidade das ações cotidianas do sistema quanto de uma mentalidade social que mercantiliza o cuidado com o bem-estar.
Entre os pontos destacados no texto modelo está a invisibilidade peculiar enfrentada pela estrutura pública. A população muitas vezes usufrui de campanhas de vacinação ou de serviços de urgência sem associar tais atendimentos à mesma estrutura que supõe limitada. A pandemia de covid-19 evidenciou essa dependência estatal em momentos de crise, mas a memória coletiva tendeu a se dissipar após a superação da emergência sanitária, demonstrando que o reconhecimento esporádico é insuficiente.
Outro obstáculo apontado é a cultura que converte o atendimento médico em mercadoria. O uso de planos privados frequentemente funciona como sinalizador de ascensão social, enquanto o atendimento público passa a ser estigmatizado como falta de alternativa. Esse fenômeno afasta as camadas com maior poder de cobrança da defesa da rede pública, enfraquecendo o pacto universal.
Para solucionar essa desconexão, a redação sugere medidas práticas direcionadas ao poder público. O Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Saúde, deveria integrar ao currículo da educação básica o estudo do funcionamento do SUS e do direito sanitário. Simultaneamente, caberia ao Ministério da Saúde ampliar a identificação visual nas campanhas e unidades de atendimento, garantindo que a população reconheça explicitamente o direito que exerce no cotidiano.
Origem da informação: G1 — veja a fonte original.




