O desmatamento na Amazônia e no Cerrado atingiu o menor patamar de suas respectivas séries históricas durante o ciclo compreendido entre agosto de 2025 e julho de 2026. Os dados oficiais foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e apresentados pelo governo federal em evento realizado no Palácio do Planalto, em Brasília.

Na Amazônia, a área total de vegetação nativa suprimida somou 3.335 quilômetros quadrados, marcando o valor mais baixo desde o início das medições em 1988. O resultado indica uma retração de cerca de 41,8% em comparação ao período anterior, quando o sistema contabilizou 5.731 quilômetros quadrados destruídos. No Cerrado, a devastação também recuou para um recorde de baixa, com 5.516,69 quilômetros quadrados desmatados, o que representa uma diminuição de aproximadamente 23,8% frente aos 7.235,27 quilômetros quadrados registrados no ciclo precedente.

Os números consolidados integram o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite, que calcula a taxa oficial de supressão vegetal no país por meio de análises detalhadas de imagens orbitais em períodos anuais. A tendência de queda também se reflete no comparativo de quatro anos. Na Amazônia, a retração chegou a 71,2% em relação a 2022, quando o indicador alcançou 11.594 quilômetros quadrados. No Cerrado, a redução foi de 48,4% em comparação ao pico de 11.012 quilômetros quadrados computado em 2023.

Especialistas e representantes de organizações socioambientais apontam que os resultados refletem o fortalecimento das políticas públicas, a retomada de planos de prevenção e o endurecimento das ações de fiscalização. Entre os instrumentos de controle destacados estão os embargos remotos, a atuação conjunta dos estados, o aumento de autuações aplicadas pelo Ibama e critérios mais restritivos de instituições financeiras na concessão de crédito rural para áreas com irregularidades.

Apesar da tendência geral de baixa, o ritmo de declínio apresenta dinâmicas distintas entre os biomas. Enquanto na Amazônia a maior parte da supressão é ilegal e passível de punição direta, no Cerrado uma parcela considerável da perda ocorre em propriedades privadas regularizadas, dentro de limites permitidos pelo Código Florestal mediante autorizações emitidas por órgãos ambientais estaduais.

Em termos geográficos, o estado do Pará concentrou a maior área desmatada na Amazônia, com 1.130 quilômetros quadrados, seguido por Mato Grosso e Amazonas. Juntos, os três estados responderam por cerca de 75% da destruição total registrada no bioma amazônico no último ciclo, embora todos tenham apresentado reduções expressivas em relação ao período anterior.

Origem da informação: G1 — veja a fonte original.