O subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino manifestou voto contrário à abertura de investigação interna sobre a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no âmbito do chamado caso Master. O tema é analisado pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal e teve origem em mensagens encontradas pela Polícia Federal no aparelho telefônico de Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira, nas quais o nome do PGR é mencionado.
A reunião do colegiado foi conduzida pelo vice-presidente do conselho, o subprocurador-geral Nicolao Dino. O chefe da PGR não esteve presente na sessão por ser o principal investigado do procedimento interno. Durante sua exposição, o relator apontou que o material analisado não demonstra qualquer interação direta ou indireta entre Paulo Gonet e o ex-banqueiro, ressaltando que as conversas ocorreram entre terceiros, especificamente entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares.
Sanseverino também pontuou que eventuais apurações sobre crimes de responsabilidade do procurador-geral cabem ao Senado Federal, limitando o escopo de atuação do conselho. O magistrado destacou que, nas mais de duzentas páginas do relatório policial, não há evidências de relacionamento entre Gonet e Vorcaro. Além disso, avaliou que a manifestação da PGR em março do ano anterior, solicitando mais tempo para analisar um pedido de prisão do empresário, decorreu do volume expressivo de documentos recebidos em curto espaço de tempo.
As investigações da Polícia Federal apontam que o ex-advogado Ciro Soares afirmava possuir proximidade com o procurador-geral e repassava recados. Entre os registros recuperados constam uma fotografia enviada a Vorcaro em junho de 2025, acompanhada de menção às iniciais de Paulo Gonet, e um registro de encontro em Londres ocorrido em abril de 2024. A PGR confirmou a veracidade da imagem do encontro britânico, e Gonet declarou publicamente que esteve com o ex-banheiro apenas nessa única ocasião, na presença de diversas outras autoridades, negando qualquer relação de proximidade ou irregularidade em sua atuação.
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