A Câmara dos Deputados do Paraguai iniciou na quinta-feira, 5 de novembro de 2026, a análise de um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña, filiado ao Partido Colorado, de direita. A proposta formal foi apresentada por 35 parlamentares na quarta-feira anterior e ganhou força rapidamente após a bancada governista anunciar apoio unânime à abertura do processo.
De acordo com informações do jornal paraguaio “ABC Color”, 79 dos 80 deputados que compõem a Casa manifestaram suporte à investigação. O movimento decisivo ocorreu quando o bloco governista, que reúne 36 deputados e permanecia como o único grupo sem posição pública definida, decidiu votar a favor da abertura do procedimento na sessão extraordinária iniciada às 10h30 no horário local.
O processo de impedimento está fundamentado em acusações de conflito de interesses envolvendo o presidente e o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. A oposição aponta que Peña manteve ligação com o conglomerado até o ano de 2025 e que tomou decisões governamentais favoráveis à instituição financeira, além de apontar falhas na fiscalização e irregularidades na aplicação de recursos públicos.
A crise institucional ganhou proporções críticas após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank em 3 de novembro de 2026, constatando que o capital mínimo da instituição estava abaixo da metade do patamar legal exigido. A medida suspendeu as atividades do maior banco digital do país e bloqueou o acesso de aproximadamente três milhões de clientes aos seus depósitos.
Como reflexo da instabilidade gerada no sistema financeiro, o ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo, e dirigentes associados ao banco foram presos. Sob forte pressão política, o governo paraguaio anunciou a adoção de medidas voltadas à restituição dos valores aos depositantes afetados.
Caso a Câmara dos Deputados aprove formalmente a acusação, o processo será encaminhado para apreciação do Senado. Para que a destituição efetiva do presidente ocorra na instância superior, é exigido o voto favorável de pelo menos dois terços dos senadores. Além disso, o vice-presidente Pedro Alliana também é alvo de um pedido de impeachment, cuja análise ocorrerá em uma sessão separada.
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