Desde a redemocratização e a realização da primeira eleição presidencial direta no país, o candidato que encerra o primeiro turno na liderança da disputa eleitoral nunca perdeu a eleição no segundo turno. O pleito atual, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa marcada para o dia 25 de outubro, traz novamente esse dado histórico para o centro do debate político nacional.
No primeiro turno da votação, Flávio Bolsonaro garantiu a primeira colocação ao superar a marca de 47,03% dos votos válidos, ficando com uma vantagem de 2,2 milhões de votos à frente de Lula, que registrou 45,16%. Com esse cenário, a disputa atual testa se haverá uma quebra na estatística eleitoral brasileira dos últimos 28 anos de votações com segundo turno.
O levantamento do histórico das eleições presidenciais demonstra a consistência da liderança inicial desde 1989. Naquele ano, Fernando Collor de Mello (PRN) liderou a primeira etapa com 30,5% e confirmou a vitória sobre Lula no segundo turno. Anos mais tarde, em 2002 e 2006, o próprio Lula chegou à segunda etapa na liderança e confirmou o triunfo sobre José Serra e Geraldo Alckmin, respectivamente. O padrão repetiu-se com Dilma Rousseff em 2010 e 2014, com Jair Bolsonaro em 2018 e novamente com Lula no pleito de 2022.
A única exceção à regra dos segundos turnos ocorreu nas vitórias de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994 e 1998, quando o candidato tucano assegurou a eleição presidencial logo no primeiro turno, impulsionado pelo Plano Real na primeira ocasião e garantindo a recondução no pleito seguinte, o primeiro a permitir a reeleição no país.
Caso Lula consiga reverter a desvantagem numérica na nova etapa e vença a disputa contra Flávio Bolsonaro, o resultado configurará uma situação inédita na história democrática brasileira desde 1989, marcando a primeira virada de um candidato que ocupou a segunda posição na etapa inicial da votação.
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