O economista André Lara Resende veio a público desmentir os relatos sobre uma possível reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista concedida à BBC News Brasil, o ex-formulador do Plano Real garantiu que não houve qualquer contato com o mandatário, nem existe agenda prevista para discussões dessa natureza. Segundo o economista, a propagação dessas informações atende a interesses de disputas internas dentro do governo federal.

Lara Resende afirmou que a especulação acerca de um suposto convite teria sido estrategicamente articulada para prejudicar membros da gestão atual que expressaram apoio às suas ideias sobre a política monetária. O economista reiterou que não possui interesse em ocupar cargos no governo e reforçou que a repercussão de seus estudos recentes tem sido utilizada como combustível para embates políticos dentro do Poder Executivo.

O foco das discussões reside em um artigo publicado por Resende em setembro, onde propõe a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN). A ideia ganhou notoriedade pública após ser compartilhada pela deputada Gleisi Hoffmann no final de outubro, o que gerou debates intensos sobre os rumos da economia. O objetivo da proposta seria instituir um órgão responsável por coordenar diretrizes de longo prazo entre as políticas fiscal e monetária.

Dentro da sugestão de Resende, destaca-se a projeção de uma redução gradual da taxa Selic para o patamar de 7,5% ao ano ao longo de um período de 12 meses. O número gerou reações negativas de diversos economistas e investidores, que interpretaram o modelo como uma tentativa de limitar a autonomia do Banco Central. Em resposta, o autor esclareceu que o percentual mencionado no texto é apenas um indicador ilustrativo e não uma meta rígida.

O cenário atual de incertezas econômicas coloca o governo sob pressão para a apresentação de medidas de ajuste fiscal, enquanto crescem as críticas à manutenção de juros elevados. Embora a proposta de um novo conselho tenha ganhado tração nos debates, sua viabilidade prática depende de uma possível aprovação pelo Congresso Nacional, algo que não foi formalmente apresentado pelo Palácio do Planalto até o momento.

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