Superar de forma temporária a meta de 1,5°C estabelecida no Acordo de Paris é amplamente visto como inevitável. Diante desse cenário, o principal desafio global consiste em limitar esse excesso ao menor patamar e período possíveis, o que requer cortes acelerados nas emissões de gases de efeito estufa, a liberação de recursos financeiros e a intensificação da cooperação internacional.

Trajetória de Aquecimento e Metas Nacionais

Há pouco mais de uma década, as projeções indicavam um aquecimento superior a 4°C em relação aos níveis pré-industriais. Com as ações climáticas implementadas desde o Acordo de Paris, essa trajetória foi reduzida para 2,3°C, caso os compromissos nacionais atuais sejam integralmente cumpridos. No entanto, os últimos 11 anos registraram as temperaturas mais altas da história, enquanto eventos extremos como ondas de calor, secas, enchentes, tempestades e incêndios florestais continuam a causar impactos severos sobre vidas e economias.

Riscos do Excesso de Temperatura

O limite de 1,5°C refere-se à média de longo prazo do aumento da temperatura global, e não a um único ano excepcionalmente quente. Relatórios apontam que, mesmo com a implementação completa dos planos atuais e compromissos de emissão líquida zero, o aquecimento ainda pode atingir um pico em torno de 1,8°C. Advertências oficiais ressaltam que cada fração de grau adicional amplia custos humanos e danos irreversíveis aos ecossistemas.

Lacuna de Emissões e Transição Energética

Embora países responsáveis por quase 90 por cento das emissões globais tenham apresentado planos climáticos nacionais atualizados, as reduções esperadas alcançam cerca de 10 por cento até 2035, enquanto a ciência aponta a necessidade de uma queda de aproximadamente 60 por cento no mesmo período. Para reduzir essa distância, governos precisam acelerar cortes de metano, conter o desmatamento e impulsionar a transição dos combustíveis fósseis para energias renováveis.

Desafios de Financiamento e Adaptação

Países em desenvolvimento enfrentam custos de empréstimo significativamente mais elevados para projetos de energia limpa. Organizações internacionais têm reiterado a necessidade de baratear o financiamento, reformar bancos multilaterais de desenvolvimento e ampliar investimentos privados. Além da mitigação, especialistas destacam a urgência de investimentos em adaptação climática para proteger comunidades vulneráveis por meio de infraestruturas resilientes e sistemas de alerta precoce.

Origem da informação: UN News — English — veja a fonte original.

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